4 filmes com curiosidades científicas

Unsplash, dinossauro

Filmes são uma ótima maneira de escapar um pouquinho da realidade, muitos oferecem horas de entretenimento, mas geralmente nós sempre deixamos passar uma curiosidade ou outra, não é mesmo?

Hoje nosso tema é um pouquinho diferente, o texto vai ter uma pegada mais científica.  Para quem não sabe, além de um entusiasta de ideias aleatórias, amante de HQ’s e fanático por videogame, sou professor de ciências/biologia, e com isso vou trazer filmes que trazem aquela oportunidade de construirmos um conhecimento, que nos agrega de forma científica.

A grande sacada do cinema é justamente trabalhar com nosso imaginário, quando conseguimos unir imaginação com realidade o filme fica incrível. O nosso lúdico é um dos fatores que mais nos agrega quando vamos assistir a explosões no espaço, bichos falantes, humanos que voam e é ótimo isso, mas aposto que você talvez não soubesse sobre essas curiosidades. Se liga só:

Bee Movie: A história de uma abelha (2007)

Eu preciso começar a lista com esse filme logo de início. “Bee Movie” foi um dos filmes que pedi para minha mãe comprar de um ambulante enquanto caminhávamos no centro da cidade, então já sabe, eu tinha um carinho pelo filme e fiquei surpreso quando comecei a estudar os animais de forma mais aprofundada.  O que eu quero deixar em pauta é que nesse filme em específico, por se tratar de uma animação infantil, não tiveram o cuidado de serem fiéis à biologia das abelhas, esquecendo de alguns detalhes do verdadeiro papel das abelhinhas na natureza.

Bee Movie é mais um filme “sessão da tarde” com uma aventura muito boa. A história do filme é sobre uma abelha chamado Barry, onde realiza seu primeiro voo para fora da colmeia para coletar pólen e a partir daí a aventura começa. Barry mantém contato com uma humana e se diverte bastante, com vários perrengues,

Aí você me pergunta “Hugo, onde está a curiosidade científica?”, vou explicar para você um pouquinho sobre o mundo das abelhas, pode ser?

A biologia das abelhas

Uma colmeia de abelhas tem uma importância imensurável para nós humanos e para a natureza, são animais polinizadores, responsáveis pela fecundação de muitas plantas e graças a esse processo de polinização além de nos fornecer mel, outras plantas dependentes desse processo para a reprodução e por isso nos abastece com diversos alimentos necessários para a nossa nutrição.

Agora vem o “pulo do gato”, o funcionamento da colmeia e toda a biologia que a envolve pode gerar uma certa dúvida para muitos. A abelha rainha é a responsável por formar a colmeia, ela sozinha consegue começar do zero, sim, eu disse SOZINHA.

A abelha rainha ao identificar um local seguro para se instaurar, ela começa a depositar ovos, sem nenhuma fecundação, esses ovos darão origem aos zangões (macho), e então serão uma tropa de uma única abelha rainha e vários zangões, até aí beleza?!

Então quando reconhecido o momento, a rainha irá realizar um voo nupcial com os zangões disponíveis, esse ensejo é superimportante para o desenvolvimento da colmeia, pois, é responsável pela fecundação dela. Quando ocorre a fecundação, os ovos a serem depositados pela abelha rainha irão originar abelhas operárias estéreis (fêmeas) e abelhas princesas (fêmeas não estéreis, com potenciais para serem rainhas), todo esse processo se chama partenogênese, e quem realiza unicamente todo o processo de produção do mel e construção da colmeia são as operárias. Beleza, agora chega de tanta complexidade, não quero assustar vocês!

Onde eu quero chegar?! As abelhas operárias (fêmeas estéreis) alimentam todos, elas fazem tudo, produção de mel, favo, geleia real e esse é o ponto em questão, não existe um macho (zangão) que consiga fazer tudo isso dentro de uma colmeia, os zangões não possuem estruturas corporais para realizar nenhum tipo de trabalho, nem mesmo para se defender, um zangão não tem ferrão! Basicamente sua função é fecundar a rainha e comer até o fim de sua vida..

Então, Barry é tratado como uma abelha operária, porém o certo seria tratá-lo como um zangão, onde o mesmo não conseguiria fazer suas funções do filme em aspectos biológicos reais, claro que estamos lidando com uma animação, porém esqueceram desse detalhe.

Bee movie
Imagem: reprodução

Star Wars

Filmes de ficção científica precisam nos chamar atenção de qualquer forma, os efeitos de som dão uma profundidade no filme inexplicável, a busca pela imersão ao ver o cinema vem com um combinado de fatores, sendo eles responsáveis pela experiência. Quero trazer aqui mais uma curiosidade para te fazer olhar, com outros olhos, ao assistir a guerra nas estrelas.

Em diversos filmes da franquia temos várias lutas emocionantes e fugas pelo universo com as naves gigantescas, o mais curioso é o vácuo do espaço e a velocidade da luz. Esse assunto na fanbase já foi muito discutido, pois o que pode ser curioso para mim, para muitos foi uma falha, mas nós entendemos, pois ver um filme sem todo o efeito sonoro ficaria muito sem graça.  Porém em uma cena conseguiram alinhar a ciência com o filme no momento certo, não tá entendendo o que eu estou falando? Se liga então:

Você sabe o que é vácuo? 

Você deve estar pensando “o que que tá acontecendo?”. Calma, você já vai entender! A palavra “vácuo” é um termo muito comum na química e na física, eu não quero complicar o texto, ao pé da letra seu significado se dá por algo vazio na sua totalidade, você não encontra nenhuma molécula, ausência absoluta de matéria (difícil imaginar, né?!)! Ao passar dos anos tal significado foi sendo qualificado para áreas de pressão atmosférica abaixo que a padronizada.

E sabe onde encontramos o vácuo? No espaço, sendo chamado de vácuo interplanetário, não podemos falar que está completamente vazio, mas sua pressão tem valores mais baixos que os padrões e regiões com baixa densidade de matéria.

Agora vem a parte massa da história, sabe aquela explosão em “Star Wars: The Last Jedi”, durante perseguição que os rebeldes sofrem com o Império bem na sua cola, a cena de uma explosão gigantesca que acontece é bem marcante no filme, mas o que mais chama atenção  é a explosão ocorrer sem nenhum som, Isso acontece porque no espaço tem vácuo e como o som é uma onda mecânica ele não se propaga na ausência de matéria, e o vácuo interplanetário presente com baixa quantidade de moléculas não conseguiria proporcionar uma explosão audível para uma orelha identificar tais efeitos sonoros, sendo assim fizeram uma cena extremamente correta entrelaçando conceitos científicos deslumbrantes.

Quando você elenca o conhecimento científico com uma cena de ação como essa é sensacional e obtivemos uma experiência cinematográfica esplêndida, posso dizer que da trilogia nova essa cena é a minha preferida. Ficou curioso quanto a cena? veja abaixo no time 01:33.

Jurassic Park (1993)

“Meu dinossauro preferido é estegossauro” esse sou eu contando na minha bio com qual dino eu mais me identifico, a paleontologia foi muito marcante durante minha graduação, me proporcionou diversas experiências e oportunidades imensuráveis, já fiz a coleta de um fragmento de fóssil e presenciei a coleta de um fêmur de dinossauro, um dos ápices da minha formação! Agora se referindo ao filme, desde pequeno gosto de assistir a esse filme muito famoso na cultura nerd, com qualidades gráficas maravilhosas desde sempre. Quero trazer conhecimentos em relação ao filme, depois que fiz paleontologia passei a ver e tentar identificar todos os dinossauros que tinham no filme, consequentemente vamos reparando e observando com outros olhos essa produção cinematográfica.

O período geológico dos dinossauros

Um filme com suas importâncias para a paleontologia e mesmo apresentando deficiências em seu roteiro, “Jurassic Park” apresentou ao mundo um período muito importante para a história da evolução. Os dinossauros habitaram nosso planeta em uma era chamada Mesozóica dividida em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo. O título faz referência ao período Jurássico, cerca de 205 a 142 milhões de anos atrás, o mais interessante é que os dinossauros que aparecem durante o filme quase todos fazem parte do período Cretáceo, dentro de uma linha do tempo esse período é definido como o auge dos dinossauros no planeta Terra 135 a 65 milhões de anos atrás, então o certo seria “Cretáceo Park”?

Lembra do meu dinossauro preferido? O fóssil já encontrado é datado no período jurássico, um dos poucos representantes do período!

A recriação usando DNA nos filmes

Lembra como o parque dos dinossauros tem início? Eles recriam os animais a partir da extração do DNA que é preservado por um mosquito, cientistas em uma descoberta conseguem fazer a clonagem desses dinossauros assustadores com o DNA coletado.

O ponto em questão é: para recriar um animal, cientistas iriam precisar do genoma completo, sendo constatado em estudos que o DNA não conseguiria ser conservado por todo esse tempo desde sua extinção, lembrando que estamos falando de milhões de anos.

Vida de inseto (1998)

Encerro essa lista com uma animação muito cuidadosa referente a relações ecológicas mostradas em seu conteúdo, me lembro de conseguir um figure action do personagem principal no Mcdonald’s (se perdeu no tempo), eu até hoje gosto muito desse filme, inclusive já usei como referência para ministrar uma aula de ecologia para alguns alunos.

Uma história com uma composição maravilhosa, simplista e muito bem escrita. Gafanhotos se aproveitando do trabalho das formigas e um belo dia, a colheita das formiguinhas não tem sucesso, e o desfecho da história é uma aventura muito bem tramada por Flick que promete tomar conta da situação e combater os vilões para não tirarem mais proveito da colônia.

Interações ecológicas

Na natureza os animais se relacionam muitas vezes de maneira harmônica e também desarmônica, entre mesmas espécies e diferentes espécies, no filme conseguimos identificar relações do tipo: Intraespecífica (mesma espécie) e interespecífica (espécies diferentes). Quando vemos o formigueiro trabalhando duro para conseguir comida, temos um exemplo de sociedade, cada uma desempenhando seu papel para a contribuição do todo. Ao inserir gafanhotos com relacionamento desarmônico diante das formigas, temos uma relação de predatismo.

Hoje temos muitos estudos que indicam a vantagem de usá-los como material de aprendizagem para alunos de diversas idades, um verdadeiro aliado do professor. A Disney manteve a fidelidade na morfologia dos insetos, suas referências são ótimas e bem concisas, por isso comecei dizendo que houve o cuidado ao produzir a animação, em todo momento conseguimos extrair informações que possam ser usadas para o ensino dos artrópodes.

Vida de inseto
Imagem: reprodução Vida de inseto (1998)

Viu?! É possível aprender vendo filmes, tenho certeza que agora você vai ver e rever esses filmes com outros olhos, a ciência fica até mais divertida né! Espero que tenham gostado do texto que preparei, qualquer dúvida, sugestão ou recomendação, deixa nos comentários, um forte abraço e te espero no próximo texto!

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