Corretora de criptomoedas transfere US$ 500 mil para conta inacessível

Cada dia que passa, está ficando mais esquisito o mistério em torno da morte do fundador e CEO da QuadrigaCX, que morreu levando consigo as senhas que dava acesso a 190 milhões de dólares em criptomoedas. O CEO Gerald Cotten, morreu repentinamente na Índia devido a complicações relacionadas à doença de Crohn (tipo de doença inflamatória intestinal) aos 30 anos, informou a empresa no início deste mês. 

Se não bastasse tudo isso, a QuadrigaCX perdeu mais 500 mil dólares por engano na semana passada. 

Em um relatório publicado recentemente sobre o progresso da Quadriga no final de janeiro, a companhia Ernst and Young afirmou que a empresa acidentalmente moveu mais de 100 bitcoins para uma carteira que não pode ser acessada. 

A empresa disse anteriormente que não podia acessar as carteiras porque seu CEO, Gerald Cotten, que morreu em dezembro, era o único que sabia onde estavam as chaves privadas. 

De acordo com relatório publicado, a EY assumiu o controle de vários dispositivos eletrônicos supostamente de propriedade ou usados pelo Gerald Cotten, incluindo quatro laptops, quatro telefones celulares e três chaves USB criptografadas. Esses dispositivos estão mantidos em um cofre, enquanto seu grupo forense determina quando tentarão acessá-los. 

A viúva, Jennifer Robertson, disse em um depoimento que ele era o único com as senhas da Quadriga, o que significa que cerca de 115 mil clientes não poderão acessar seus depósitos. 

Essa recente transferência de pouco mais de 100 moedas de Bitcoin, aliada ao milhões perdidos anteriormente, bem como várias circunstâncias estranhas em torno da morte de Cotten, levaram a teorias que ele falsificou sua morte em uma fraude elaborada para roubar seus clientes, já que com um plano de tratamento adequado, o risco de morte por doença de Crohn é baixíssimo. 

Além disso, o testamento de Cotten foi assinado em 27 de novembro, menos de duas semanas antes de sua morte, em 9 de dezembro. Ademais, segundo relatórios divulgados na imprensa internacional, mesmo antes da morte de Cotten, a empresa tinha atrasos na transação e disputas na justiça que levaram milhões de dólares a serem congelados. Cabe acrescentar que a Quadriga não possuía escritório físico, contas bancárias corporativas ou mesmo um departamento de contabilidade. Segundo arquivos publicados pela própria empresa, havia apenas uma pequena equipe de empregados, as trocas de criptomoedas no Canadá não são regulamentadas, e ninguém estava vigiando a empresa. 

Antes de sua morte, Cotten transferiu os estoques de criptomoedas para “dispositivos off-line”, dispositivos físicos que permitem proteção contra ladrões e hackers, disse sua esposa. Essas transações paralisaram os fundos, disse Robertson, pois Cotten era o único com acesso. As tentativas da viúva de contratar consultores para ajudar a decifrar o código até agora não tiveram sucesso, disse ela. 

Um juiz está agendado para em breve lidar com o caso, nomear advogados que representarão os titulares de conta da Quadriga em uma audiência na Corte Suprema de Halifax, de acordo com ação pleiteada.